Joanete: a cirurgia minimamente invasiva que revolucionou o tratamento
Hoje é possível corrigir o joanete com cortes minúsculos no pé, recuperação muito mais rápida e sem cicatrizes grandes. Veja por que essa técnica está mudando a vida dos pacientes.
O joanete é aquele "calo" que aparece na lateral do dedão e empurra ele em direção aos outros dedos. O nome técnico é hálux valgo, e ele é muito mais comum em mulheres. Durante décadas, muita gente preferia conviver com a dor a operar — afinal, a cirurgia antiga deixava cortes grandes, gesso, semanas de muletas e cicatrizes feias. Hoje isso mudou: surgiu uma técnica que faz tudo por pequenos furinhos no pé.
Para entender o tamanho da diferença, um estudo acompanhou pacientes operados pela técnica chamada MICA (cirurgia minimamente invasiva do joanete) durante três anos. Antes da cirurgia, esses pacientes tinham nota 48 (de 0 a 100) num índice que mede dor, equilíbrio e função do pé no dia a dia. Três anos depois, a nota subiu para quase 96 — quase o dobro. Para a maioria, isso significou voltar a usar sapatos normais sem dor.
Como funciona essa cirurgia "por furinhos"?
Em vez do corte longo da cirurgia tradicional, o médico faz pequenas aberturas de 3 a 5 milímetros — menores que a ponta de um lápis. Por dentro desses furinhos, ele usa minibrocas (parecidas com as do dentista, mas próprias para osso) para reposicionar o osso do dedão. Tudo é feito guiado por raio-X em tempo real, então é possível ver o osso voltando ao lugar certo na hora. Para fixar, são usados parafusos de titânio que ficam por dentro do pé, sem aparecer.
Na prática, isso significa: muito menos dor depois da cirurgia, menos inchaço, cicatrizes quase invisíveis e retorno mais rápido à rotina. A maioria dos pacientes já caminha no mesmo dia da cirurgia, usando uma sandália especial.
"A principal sociedade mundial de ortopedia do pé reconheceu, em novembro de 2024, que essa nova técnica é tão segura e eficaz quanto a cirurgia tradicional — só que com recuperação muito mais tranquila para o paciente."
Quando vale a pena operar?
A cirurgia entra em cena quando o tratamento sem cirurgia já não resolve mais. O tratamento sem cirurgia inclui: usar palmilhas, trocar para sapatos mais largos e confortáveis, fazer fisioterapia e tomar anti-inflamatórios pontualmente. Se mesmo assim a dor persiste, o joanete está aumentando ou já está te impedindo de andar e usar os sapatos que gosta, é hora de conversar sobre cirurgia.
Cada pé é um pé. Pacientes mais jovens com joanete moderado costumam responder muito bem à técnica nova. Já casos com desgaste avançado da articulação podem precisar de uma estratégia diferente. Por isso, a avaliação individual é essencial — não existe "uma cirurgia que serve para todos".
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Apenas um especialista pode avaliar o seu caso e indicar o tratamento mais adequado.
Referências
- Biz C, et al. "Third-Generation Minimally Invasive Chevron Akin Osteotomy for Hallux Valgus: Three-Year Outcomes." Indian Journal of Orthopaedics. 2023. PMC10240454. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10240454/
- American Orthopaedic Foot & Ankle Society (AOFAS). "Position Statement on Minimally Invasive Surgery for Hallux Valgus." November 2024. https://www.aofas.org